
O Busca Med nasceu durante um hackathon da FCamara, em 2021, como uma proposta de aplicativo para facilitar a busca e compra de medicamentos de forma prática e acessível.
Na época, o projeto atendia bem ao contexto de uma competição: apresentar uma ideia funcional em pouco tempo. Alguns anos depois, decidi revisitar essa solução com outro nível de repertório profissional.
Em vez de apenas atualizar a interface, resolvi reconstruir o projeto aplicando aprendizados adquiridos em experiências reais de mercado, especialmente em pesquisa, jornadas digitais, visão de negócio e design mais refinado.

Por que revisitei esse projeto
Ao olhar para a primeira versão, percebi que ela estava muito focada na camada visual. Existia uma boa intenção e uma proposta interessante, mas faltavam fundamentos importantes para que a solução funcionasse como produto real.

A jornada ainda não considerava etapas críticas como compra, pagamento, entrega, tratamento de erros e construção de confiança. Era um projeto que parecia pronto na superfície, mas ainda incompleto na experiência.
Essa revisão se tornou uma oportunidade clara de medir minha própria evolução como designer. Antes, eu enxergava somente as telas. Hoje, penso em ecossistemas, comportamento do usuário e sustentabilidade da solução.
O desafio do redesign
O objetivo não era apenas “deixar mais bonito”. O desafio foi transformar um MVP conceitual em uma proposta mais madura e plausível para o mercado. Isso significava repensar como uma pessoa buscaria medicamentos com segurança, entenderia informações importantes, seguiria até a compra sem fricção e se sentiria amparada caso algo desse errado no processo.
Em um contexto ligado à saúde, experiência e confiança caminham juntas. Por isso, toda decisão de design precisou considerar clareza, previsibilidade e credibilidade.

Nova fase de pesquisa e benchmark
Para reconstruir a base do projeto, refiz a pesquisa de mercado observando aplicativos reais de venda de medicamentos e serviços similares. O foco deixou de ser inspiração visual e passou a ser comportamento de produto. Analisei padrões de busca, navegação mobile, organização de categorias, formas de checkout e comunicação utilizada em momentos sensíveis da jornada.
Esse processo me ajudou a entender o que o mercado já resolvia bem e onde existiam oportunidades de melhoria. A partir dessa análise, reorganizei a arquitetura da experiência e estruturei novos wireframes com maior aderência ao uso real.
Uma jornada mais completa
Na nova versão, o aplicativo passou a considerar o fluxo completo de compra. A experiência foi redesenhada para acompanhar o usuário desde a busca inicial até etapas posteriores, como pagamento e acompanhamento do pedido.

O objetivo foi criar uma navegação natural, simples de entender e consistente entre as telas. Em vez de telas isoladas, passei a tratar o projeto como uma sequência contínua de decisões do usuário.
Essa mudança trouxe mais coerência para a solução e aproximou o case de um produto viável.
O valor dos cenários de erro
Um dos pontos em que mais evoluí como designer foi perceber a importância dos momentos em que algo não funciona como esperado.Por isso, dediquei atenção especial aos estados de erro, indisponibilidade de produtos, falhas de pagamento, buscas sem resultado e instabilidades temporárias. Em todos esses cenários, a preocupação foi oferecer mensagens claras, acolhedoras e úteis.
Muitas experiências digitais parecem boas quando tudo dá certo. O verdadeiro teste acontece quando o sistema falha. Esse redesign levou isso em consideração.


Design Crafting aplicado à experiência
Outro conceito importante incorporado ao projeto foi o craftdesign, entendido como o cuidado intencional com pequenos detalhes que melhoram a percepção do usuário.

No Busca Med, isso apareceu em microdecisões como linguagem mais simples, visual limpo, feedbacks consistentes e animações em momentos de espera para reduzir ansiedade durante a navegação. Esses elementos não chamam atenção de forma isolada, mas juntos tornam a experiência mais humana e confortável.

Reconstrução visual e prototipação
Depois de consolidar a nova estrutura, redesenhei todas as telas do aplicativo e criei uma nova base de componentes visuais. A interface passou a ter hierarquia mais clara, consistência entre fluxos e uma linguagem visual mais madura.

Todo o projeto foi organizado no Figma, com foco em prototipação navegável e manutenção estruturada. Também organizei os arquivos pensando em evolução futura, documentação e apresentação do case.

O que esse projeto me ensinou
Reconstruir o Busca Med foi quase como conversar com uma versão anterior de mim mesmo como designer. Percebi o quanto minha visão amadureceu. Hoje entendo que um bom produto depende menos de telas bonitas e mais de contexto, clareza, consistência e decisões pensadas para a realidade de uso. Também ficou evidente como pesquisa, fluxos bem resolvidos e atenção aos detalhes impactam tanto quanto a estética final.
Conclusão
O Busca Med começou como uma ideia criada sob a pressão positiva de um hackathon. Anos depois, tornou-se um exercício profundo de evolução profissional. Mais do que redesenhar interfaces, este case representa a transição entre um olhar inicial focado em execução visual e uma visão atual orientada a produto, experiência e valor real para o usuário.
Para conferir todo o arquivo do Figma do projeto, clique aqui.